11 de janeiro de 2010, mas um dia como qualquer outro, pelo menos era o que eu imaginava. Acordei cedo, fui ao trabalho, cumprir minha carga horária e voltei para casa.
Lar doce lar... após mais um dia de cansativa rotina. Tudo aparentemente igual, minha cachorrinha Sofia me dando boas vindas, minha mãe como sempre me esperando e a sensação de aconchego do meu quarto. Tudo normal, até as 22h45min.
Voltando alguns minutos antes desse horário, estava usando o notebook, pois tinha marcado uma conversa às 21h no MSN, mas a pessoa com a qual tinha combinado não estava online, então fiquei conversando com outras pessoas, mas já decidido que iria dormir às 23h.
A noite estava quente. Fui à cozinha beber um copo d'água e decidi tomar um banho para me refrescar um pouco. Voltei para o quarto, peguei a toalha, e saindo em direção ao banheiro, fui surpreendido por uma voz masculina, com tom de nervosismo e palavras agressivas. A voz vinha da janela que estava aberta, a qual era protegida por grades. Olhei surpreso para trás virando meu corpo parcialmente, então vi um rapaz encapuzado usando um moleton de cor alarajanda, ele estava com o braço estendido por entre as grades empunhando uma arma em minha direção.
Que susto! Que sensação de medo... confusão... surpresa... fiquei paralisado, minha mente se tornou um turbilhão de pensamentos, querendo entender o que estava acontecendo.
Sob ameaças de morte ordenou-me ir em sua direção, então logo deduzi que desejava fazer-me de refém e que havia outro ou outros que faria a minha mãe abrir a porta de casa para continuar o assalto. No momento perdi a noção do espaço e do tempo, então olhei para o lado e vi que a porta de saída do quarto estava a um passo de mim, um passo para estar fora da sua visão.
Minha vida passou em minha mente em rápidos flashes, pensei principalmente em minha mãe que estava dormindo, não sabia como ela iria reagir a essa situação. Tinha que tomar uma decisão, obedecê-lo e não saber o que iria acontecer posteriormente ou dá um passo de coragem e fé em direção a porta. Uma vida, um segundo, uma decisão. Antes dele completar a frase: - “Não corre, senão...” Corri! Um tiro, um estrondo, um grito de dor e pavor!
Senti que fui baleado e descobrir o que é medo e angustia ao cair em outro cômodo da casa. “Queimava”, doía, e já não era tão fácil respirar. Eu chorava e chamava pela minha mãe, enquanto o sangue escorria pelas minhas costas. Interrogações surgiam como uma enxurrada em minha mente de forma aleatória. O que aconteceu? Por quê? Acertou meu coração? Meu pulmão? Vou viver?
Minha mãe surge desesperada e suas lágrimas se unem as minhas. Fiquei dividido, não sei o que mais me doía, ver minha mãe naquela angústia ou o meu próprio sofrimento. Diante daquela situação um sentimento de impotência tomou conta de mim, mas sabia que precisava reagir, não podia me entregar. Em meio ao choro e as dores, olhei para minha mãe e disse desesperadamente para Deus em espírito: - “Por favor, agora não! Preciso cuidar da minha mãe! Ajuda-me Senhor a suportar!”
Pedi uma toalha para colocar sobre o ferimento na tentativa de diminuir o sangramento. Minha mãe com a intenção de ajudar me trouxe um copo d’água, minha
boca estava seca, então bebi! Depois que descobrimos que uma pessoa baleada não pode consumir líquidos, pois pode levar a um critico quadro clinico. Em seguida ela tentou encontrar algum contato na agenda para pedir ajudar, mas o seu nervosismo chegou a tal ponto que não conseguia se manter de pé. Sabíamos que precisávamos de socorro urgente, mas depois fomos perceber que o aparelho celular estava sobre a cama, próximo a janela onde o meliante apareceu. Mas não tinha outra escolha, olhei em direção a janela e não mais o vi, então me arrisquei adentrando ao quarto e pegando o celular o mais rápido que pude. Sentei no chão novamente, e para aumentar a nossa angústia descobrir que não tinha créditos e nem bônus, e para piorar quando ligava a cobrar para algumas pessoas, as mesmas não atendiam. E agora? O telefone fixo também estar no quarto! Mais uma vez adentrei, agora para pegar o telefone fixo, que felizmente tinha um fio longo o bastante para tirá-lo do quarto.
Em meio a dores liguei para o pastor da igreja a qual congregava só que ele não estava, e sim um irmão, logo fui dizendo que estava baleado e precisava de ajuda. Em seguida liguei para outro irmão da igreja e disse o mesmo. Agora era aguardar. Tentava manter a calma, mas cada segundo parecia uma eternidade.
Os dois irmãos com os quais consegui falar chegaram juntamente com outro irmão em Cristo, que é policial militar. Minha mãe abriu a porta, então fui à direção deles, chorando. Colocaram-me no carro e no caminho para o hospital, em espírito elevei os meus pensamentos para Deus: “- Senhor, se eu for agora, o que eu vou te apresentar? Sei que ainda não cumprir os seus propósitos aqui!” E naquele momento refiz minha aliança com o Senhor.
Chegando ao hospital de Itagimirim/BA, fui levado para o Pronto Socorro. O médico me examinou e imediatamente me encaminhou para a cidade de Eunápolis/BA, a mais ou menos 40 km de distância. Ele pediu para as auxiliares colocarem um balão de oxigênio para me ajudar na respiração durante a viagem. E para minha surpresa ouvi a resposta de uma delas dizendo que os balões de oxigênio estavam vazios e vi o médico desaprovando a situação gesticulando com a cabeça. E para completar a ambulância estava sem combustível. Aparentemente tudo cooperava para dar errado. Mas nada poderia ir contra os propósitos e os planos de Deus.
Um dos irmãos que me socorreu, concedeu o carro dele, então o motorista da ambulância conduziu o veiculo e me levou ao Hospital Regional de Eunápolis. Chegando lá, me colocaram em uma cadeira de rodas, e me levaram ao interior do hospital.
Minha boca estava ressecada, tinha muita sede. Então pedi um copo d’água a minha mãe, mas o meu pedido pareceu que ecoou e vários funcionários do hospital ouviram as minhas palavras. Derrepente vi várias pessoas se virando para mim e dizendo simultaneamente que não era para me dar água em hipótese alguma. Tanto minha mãe, quanto eu não compreendemos porque tão grande reprovação. Então minha mãe perguntou: - “Por que não”? A resposta foi direta: - “Porque se uma pessoa baleada beber água, ela morre”. Minha mãe espantada apenas disse: - “Ele já bebeu!”. Todos ficaram calados e voltaram aos seus afazeres.
Logo depois surgiu dois policiais, que por coincidência conhecia um deles. Perguntaram-me como ocorreu a tentativa de assalto enquanto observavam a perfuração em minhas costas. Apontando para o meu pé um diz pro outro surpreso: - “Ele está mexendo o pé!” Em seguida me pergunta: - “Você consegue mexer o outro pé?” Em meio à dor, respondo positivamente e balanço os pés. Só fui entender a surpresa de ambos quando entrei na sala de raios-X logo em seguida, quando o Técnico de Radiografia ao me ver na cadeira de rodas e observar o ferimento me faz uma pergunta, que me soou como uma afirmação: - “Você não consegue ficar de pé, né?” E respondi ao levantar da cadeira de rodas apesar das dores e da falta de ar. Percebi que ele também ficou surpreso. Todos estavam acreditando que iria ficar paraplégico.
Após o exame, fui para uma sala onde o cirurgião me avaliou e fez um procedimento de pulsão no meu tórax, introduzindo uma agulha entre as costelas, retirando um pouco da hemorragia interna (depois descobrir que ele deveria ter feito outro procedimento!). Por falta de cirurgião em outro hospital, tive que passar a noite em uma enfermaria nada agradável com outros pacientes, sentia fortes dores e a noite foi longa como nunca.
Bem cedo, com apoio de familiares, amigos e colegas de trabalho, fui transferido para um hospital que atendia pelo plano de saúde. Fui transportado por uma unidade do SAMU, direto para sala de cirurgia.
Naquela ampla sala, sozinho, entreguei mais uma vez toda aquela situação nas mãos de Deus, e em seguida conheci o cirurgião que estava acompanhado de sua assistente, o qual me explicou o meu quadro clinico mostrando-me os raios-X. Segundo as suas palavras, eu tinha escapado da morte, pois fui ferido em uma área de risco que é o tórax. O projétil acertou a milímetros da coluna cervical, desviando-se na diagonal perfurando também o pulmão esquerdo (o mesmo lado do coração!) e estava alojado no mesmo. E ainda complementou dizendo que já tinha visto casos que por muito menos certas pessoas ficaram paraplégicas pela lesão de uma bala onde fui atingido. Naquele momento, entendi que o médico em outras palavras estava me dizendo: - “Mais um milagre aconteceu em sua vida!”.
Antes do procedimento cirúrgico ainda me explicou que não seria possível retirar a bala, que ela estava alojada em uma parte do pulmão que não me traria problemas futuros.
Compreendi que Deus tinha permitido o inimigo tocar na minha carne, mas que o Senhor impôs a condição de escolher o trajeto da bala e o máximo de dano que ela causaria. O inimigo pôde até se levantar e tocar em mim, mas ele se esqueceu que minha vida foi comprada pelo sangue derramado na cruz e que Deus segundo sua soberania poderia (como o fez!), transformar essa situação adversa em benção, a dor momentânea em alegria, e que Deus segundo seu amor faria dessa angustiante e dolorosa experiência um meio para me levar a refletir sobre minha própria vida e experimentar mais ainda de Sua presença, e por muitos outros motivos que ainda não descobrir.
Fui sedado e submetido a uma cirurgia para implantação de um dreno no tórax, na região pleural, pois como foi perfurado o pulmão tive um quadro de pneumotórax (ar entre o pulmão e a parede torácica), causando compressão do pulmão e conseqüentemente dificuldade de respirar.
Ao acordar do estado sedativo, vi o tubo implantado em mim drenando um liquido avermelhado, o médico explicou que deveria ter feito esse procedimento no primeiro momento que cheguei ao hospital e não uma simples pulsão como foi realizado.
Parando para refletir toda aquela situação, percebi que tudo aparentemente cooperava para que eu não tivesse um final feliz:
1) Fui baleado em uma área de risco, e acertou um órgão vital;
2) Não tinha créditos no celular, não atendiam a cobrar, demorei de receber socorro;
3) No primeiro hospital que fui levado os balões de oxigênio estavam vazios e a ambulância sem combustível;
4) Fiz movimentos como levantar, andar e agachar. Não deveria, pois o projétil acertou praticamente na coluna;
5) Ingerir líquido logo após ter sido baleado;
6) O primeiro médico que me atendeu não fez o procedimento adequado (podendo me levar a um quadro de infecção, segundo o cirurgião);
Mas não há nada impossível para Deus, e o Senhor fez o impossível se tornar possível, surpreendendo a todos com minha rápida recuperação, não deixando seqüelas no corpo e nem na alma, me dando paz interior apesar de todo o ocorrido.
Foram cinco dias de internação. Lembro-me que na última visita médica, o doutor conversou comigo, me deu orientações como cuidar do ferimento e me desejou boa sorte, demonstrando apreço e alegria pela minha recuperação. Mas o que me surpreendeu foi que depois de tudo isso, e até mesmo de ter se despedido de mim, saindo do quarto, próximo a porta, ele vira-se repentinamente e olha fixamente para mim e diz: - “Sua vida foi poupada”. Ele saiu do quarto sem dizer mas nenhuma outra palavra. Essa cena ficou marcada em minha mente como nenhuma outra, pois percebi que foram palavras influenciadas pelo próprio Deus. Senti grato e ao mesmo tempo pequeno demais, pois percebi que Deus tem me concedido muito mais do que mereço.
Diferentemente quando tive Leucemia, recebi muito apoio e visitas de amigos e colegas de trabalho, recebi o carinho e oração de muitas pessoas, por meio das quais sentia o amor de Deus.
Aprendi com tudo isso muitas lições e reaprendi muitas outras. Entre elas, que a vida é passageira, que se pode perdê-la a qualquer momento, mas entendi profundamente que minha vida pertence ao Senhor Jesus, e ninguém pode tirá-la sem o Seu consentimento. Entendi que se deve buscar ao Senhor de todo coração, de todo entendimento enquanto há tempo, pois não sabemos quanto tempo nos resta. Compreendi que Deus tem grandes propósitos em minha vida e que não quero mais tardar o cumprimento destes propósitos em mim. Aprendi que mesmo que tudo pareça dar errado, que não haverá um final feliz, a fé pode te levar a enxergar além e que para Deus não há nada impossível. Experimentei mais uma vez da graça, misericórdia e do amor do Senhor, para com o qual sou eternamente grato, não somente por ter me livrado da morte, tanto quando tive Leucemia, quanto dessa vez que fui baleado covardemente, mas sim por me conceder experiências que me levam para perto Dele, pois não há nada melhor do que servi e conhecer pessoalmente esse Deus, que faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o serve mesmo que a situação pareça ser o fim, pois com Deus a história só tem inicio, não existe fim, pois como muitos, fui chamado para viver uma história que perpetua pela eternidade em Sua presença.
Agradeço aqueles que me resgataram, ao Dr. Ubirajara e a equipe médica pela dedicação e simpatia, a minha família pelo amor e o cuidado, aos meus amigos (não sabia que tinha tantos!) pelo companheirismo, a minha namorada por ter estado sempre ao meu lado, e a todos que intercederam pela minha recuperação. Todos vocês contribuíram para a manifestação do poder de Deus em minha vida.
Obrigado Senhor por mais um milagre em mim! Que seja para Tua glória!
...Também nos gloriamos-nos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado. (Romanos 5:2-5)
Minha graça te basta, pois o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza (2 Coríntios 12.9a)
Leia também o outro testemunho de Carlos Eduardo "Kadu":
Leucemia - A cura veio em nome do Senhor
| 8 Comentário(s) até este momento! |
| Nome: Carolline Dias - |
Com esse testemunho vimos como Deus é misericordioso e tem grande proposito para os seus servos, Deus é fiel tem cuidado de cada um de nós. Deus permite certas coisas acontecerem em nossos vidas para nos mostrar que Ele pode todas as coisas e faz o impossível acontecer, e Ele está conosco em qualquer situação. A Deus seja toda honra e toda Glória. |
| Nome: Patricia - patylosanjos@hotmail.com |
Nossa emocionante seu testemunho, chego chorar ao ver o mover de Deus na vida das pessoas ,a cada dia vejo como é bom servir a um Deus vivo. Isso nos leva a refletir que não somos nada sem Deus e que tão pouco fazemos pra ele. Realmente Deus tem um próposito muito grande em sua vida. Deus o abencoe ainda +. |
| Nome: Gessica Miranda - gessiquinha12@hotmail.com |
Lembro-me de ter acordado com um telefonema avisando-me essa noticia terrível, mas logo senti grande paz no meu coração, pq sabia que o Senhor ainda tem muito a fazer por ti e através de ti! Vê-lo se recuperando rápido não foi surpresa, pois quem tem promessas não morre! E em nome de Jesus todas as promessas de Deus se cumprirão na sua vida, louvo a Ele por ter conservado sua vida meu amiigoo! Deus o abençoe sempreee! |
| Nome: Luciene Costa Santos Moreira - lucienecostasantos2004@yahoo.com.br |
Tremendo o seu testemunho irmão, cremos que algo tremendo nosso Deus tem para você. Que Ele possa continuar te abençoando juntamente com sua mãe e que seu testemunho possa ser instrumento de salvação para muitos que ainda irão cruzar em teu caminho. Paz seje contigo varão valoroso. Abraço nosso (Pr. Ernanes e família) |
| Nome: Jaelle Matos - jaelle.mtts@hotmail.com |
Como é maravilhoso sentir as mãos do Senhor sobre aqueles que o temem. Deus te abençoe tremendamente meu irmão. |
| Nome: Madalena passos - mada.s.p@hotmail.com |
Toda honra e glória seja dada ao Senhor Jesus...amado és um previlegiado do Senhor, que testemunho maravilhoso. Deus realmente te ama e quer te fazer um pescador de homens, pois ganharás a nação pro Senhor vc é mais que vencedor em Cristo Jesus.Fica na Paz! |
| Nome: lane - jandemg12@hotmail.com |
Êta Deus de novo..!! A fúria é enorme sobre vc! mas, já percebir que a Graça é Maior. aleluias..!! Irmão Kadu, a chamada é de fogo! Q tremendo. q o Senhor Jesus venha te usar, como tem usado entre as nações até a morte ou arrebatamento! Para a Glória Dele e sua alegria, de viver experiências marcantes com esse Deus. Shalom!!! |
Oxente Musical ministra em Eunápolis
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VII Encontro de Jovens de Eunápolis
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Grupo EMME esteve em Eunápolis
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CONJOE 2010 "Atitude Já"
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"Música Eletrônica Gospel & Adoração"
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